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Letraria. Um jardim de cerveja artesanal no coração do Porto

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Duas salas, dois bares e um jardim amplo (e secreto). A Letraria abriu a 10 de março na Baixa do Porto com tudo isto, 50 cervejas artesanais e pratos que incluem uma sanduíche feita em cerveja preta.

Na Rua da Alegria, no Porto, há mais caos do que alegria, com os carros parados no trânsito e as obras ocasionais no pavimento ou em alguns prédios. É difícil imaginar que, nas traseiras do número 101, há um jardim amplo com um chafariz, laranjeiras e outras árvores, várias mesas, gatos que por ali passam e um mural com um homem barbudo deitado de barriga para o ar. Tudo convida ao descanso. Há um ano, o Observador descobriu esse jardim com a abertura de uma casa de chá e cultura, que acabou por fechar portas. A partir de agora, nesse mesmo número 101 mora o primeiro beer garden da Invicta.

Francisco Pereira e Filipe Macieira são os responsáveis pela nova Letraria – Craft Beer Garden, um projeto da cervejeira artesanal minhota Letra, que os dois lançaram em 2013. Dois anos depois, os dois ex-investigadores em bioengenharia abriram um brewpub — termo que se refere a bares que servem cerveja fabricada no próprio local — em Vila Verde, com restaurante e visitas guiadas à fábrica incluídas. Consolidado o projeto — é um dos restaurantes obrigatórios em Vila Verde –, chegou a hora de expandir o conceito até à Invicta, onde a cerveja Letra tem bastante procura.

Quem olha para a entrada do pequeno prédio não vai conseguir perceber que há um tesouro escondido nas traseiras. A primeira sala tem um pequeno bar para os 10 lugares sentados que ali existem. Só depois de descer as escadas da casa renovada é que se chega à sala principal, com outro bar, 35 lugares sentados e desenhos na parede a explicar como é feita a cerveja artesanal Letra, desde a moagem do cereal até à rotulagem. Depois, há uma pequena esplanada. Et voilà, o jardim, que a equipa da Letra renovou. A iluminação noturna será colocada em breve, bem a tempo das noites quentes que se perspetivam com o aproximar da primavera.
Francisco Pereira (à esquerda) e Filipe Macieira lançaram a Letra em 2013. Foi este jardim que os levou a escolher a morada da nova Letraria. (foto: © Patrick Esteves / Divulgação)

Na Letraria há 50 referências de cerveja artesanal — 30 em garrafa ou lata e 20 de pressão. Dessas 20 referências de pressão, 16 são portuguesas. Sim: apesar de o espaço ser da Letra, a concorrência é bem-vinda. “Temos amizade com outras marcas e temos uma seleção muito diferente, mas todas com o mesmo nível de qualidade”, explica Filipe Macieira, que considera que falar em concorrência nem faz sentido. “Há um sentimento de comunidade porque o consumidor da cerveja artesanal é curioso, quer experimentar.”

Depois, há quatro torneiras reservadas para a cervejeira dinamarquesa Mikkeller, em parceria com o Art Beer Fest, que se dedica a organizar eventos de cerveja artesanal em Portugal e a divulgar as marcas portuguesas no estrangeiro. Ainda há outras quatro torneiras à espera de barris, pelo que Filipe Macieira admite que, dadas as boas relações com várias cervejeiras estrangeiras, é possível que haja sempre novidades para provar.

As cervejas de pressão vão desde os 2€ aos 5€ (copo de 20cl) e o grau de teor alcoólico varia entre os 4,6% (Letra A) e os 12% (Barbudo Grape Ale). Há um menu de degustação de seis cervejas à escolha por 9€ (copos de 15cl). Já nas garrafas, os preços começam nos 3€ (Letra A) e vão até aos 11€ que custa a Mikkeller maturada em barrica de Cabernet Sauvignon. Sim, que as cervejas artesanais são pródigas em experiências que levam a diferentes sabores. “Temos edições em garrafa maturadas em barrica de Vinho do Porto e Moscatel”, acrescenta o responsável. Nas garrafas, o teor alcoólico tem opções dos 0,3% até aos 17%. Os celíacos vão gostar de saber que há uma opção sem glúten.

As cervejas de lata não devem ser olhadas com desdém. Uma das mais caras, que custa 9€, vem na lata e isso pode não ser tão bonito quanto beber de uma garrafa de vidro mas, no caso da cerveja artesanal, pode ser sinónimo de maior qualidade e preservação de sabor, explica o engenheiro. Por falar em qualidade, os dois investiram numa câmara frigorífica para conservar os barris de cerveja a dois graus centígrados, que nos locais habituais costumam ser vistos à temperatura ambiente. “Isso garante consistência nos sabores e na qualidade”, explica.

A inauguração oficial da Letraria está marcada para sábado, 18 de março, apesar de o espaço já estar aberto há cinco dias. Filipe, que também tem um curso de sommelier, explica que ali também se faz harmonização com alguns pratos e petiscos. Nas entradas, há tábuas de queijo e enchidos (9,50€) com presunto e salpicão de Montalegre, queijo Chévre, queijo da Serra, queijo Azul de ovelha e queijo de cabra com chili e paprika. Os croquetes (3,50€ seis unidades) são de carne de novilho com queijo flamengo derretido.

“Tentamos que todos os ingredientes sejam regionais“, sobretudo da zona Norte, explica o responsável. “É tudo feito por nós“, acrescenta, dos croquetes à carne dos hambúrgueres. Há o normal, feito com 100% carne de novilho, cebola caramelizada, bacon, queijo edam, queijo azul e alface, e o vegetariano, à base de grão-de-bico e cogumelos Portobello, com ovo estrelado, queijo edam, queijo brie, alface, tomate e ketchup de caril. É servido com batata frita com casca e molho especial. Ambos custam 8€.

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