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Vallado é uma quinta com 300 anos no coração do Douro

Quinta do Vallado, Peso da Régua

A Quinta do Vallado celebrou 300 anos de história em 2016. Desde 1818 faz parte do património da família Ferreira. E Francisco Spratley Ferreira fala da quinta e dos vinhos que correm mundo…

Tendo pertencido à lendária Dona Antónia Adelaide Ferreira mantém-se até hoje na posse dos seus descendentes. Situa-se nas margens do Rio Corgo, um afluente do Rio Douro, mesmo junto à foz, perto da localidade de Peso da Régua.

Durante cerca de 200 anos a Quinta do Vallado teve como principal actividade a produção de vinhos do Porto, comercializados posteriormente pela Casa Ferreira (que pertencia à Família). Depois de Dona Antónia Adelaide Ferreira, foram o seu bisneto – Jorge Viterbo Ferreira, e trisneto – Jorge Cabral Ferreira, os responsáveis pelo grande desenvolvimento e crescimento da Quinta.

Com a tradição secular de vender a sua produção à casa Ferreira, foi em 1993, já sob a direcção de Guilherme Álvares Ribeiro e sua mulher Maria Antónia Ferreira, que a empresa decidiu alargar a sua actividade à produção, engarrafamento e comercialização de vinhos com marca própria.
Foi nesse mesmo ano, e sob a orientação do Prof. Nuno Magalhães, que se iniciou uma profunda reestruturação das vinhas, tendo como objectivos primordiais a produção de castas de grande qualidade, e a utilização de sistemas de plantação e condução que permitissem um melhor desenvolvimento vegetativo.

As novas vinhas foram plantadas em áreas claramente definidas, rompendo com a tradição de misturar diferentes castas na mesma parcela.
Com a homogeneização dos tempos de tratamento, maturação e apanha, a melhoria da eficácia dos processos é evidente, traduzindo- se numa produção de qualidade muito mais constante e controlável, e economicamente mais eficaz.

Outro factor determinante nos novos métodos é a análise geral à produção, que permite a eliminação, em verde, dos cachos considerados excedentes de algumas castas, contribuindo para o enriquecimento da qualidade da restante produção. Hoje, com 60 ha de vinha com idade entre 15 a 23 anos, compensada por 10 ha das melhores parcelas de vinha velha com cerca de 100 anos, a Quinta do Vallado e os seus responsáveis, João Ferreira Álvares Ribeiro, Francisco Spratley Ferreira e Francisco Olazabal (enólogo consultor), todos tetranetos de Dona Antónia, alcançaram já um patamar muito elevado, reconhecido por várias instâncias nacionais e internacionais.

Trezentos anos de história e trezentos anos a produzir vinho. Não é verdade?
Trezentos anos de história é muito tempo, sou a 6º geração depois da D. Antónia, mas é a sétima depois do tio da D. Antónia- António Bernardo Ferreira, ter comprado a quinta. O que tenho referido, é que em 2016 estamos a comemorar os 300 anos após as 1ªas referencias , mas na família está há 198 anos. Pode parecer um contra-senso, ou seja em 2018 vamos celebrar os duzentos anos, apos em 2016 termos celebrado os 300 anos. De verdade é uma história muito longa. Eu costumo dividir a história, em duas épocas diferentes- até 1987 em que a Porto Ferreira era da nossa família, em que os mesmos proprietários da Quinta do Vallado faziam parte da administração da Porto Ferreira e em que havia uma tradição, das empresas familiares da D. Antónia, vendiam as uvas e os vinhos da Porto a granel à Porto Ferreira e a Quinta do Vallado sempre viveu com este acordo, como tinha adega própria, vinificava aqui as suas uvas, fazia Vinho do Porto e vendia à Porto Ferreira que fazia depois a comercialização. Em 1987 a Porto Ferreira foi vendida à SOGRAPE e a partir dessa época, começamos um novo ciclo, decidimos tornar-nos produtores/ engarrafadores e em 1995 começamos a fazer o primeiro vinho, com a marca Quinta do Vallado.

Um percurso a caminho dos 30 anos na produção e comercialização e vinho generoso e vinho de mesa?
Com a marca Vallado a aposta inicial com maior ênfase foi nos vinhos de mesa, numa época em que começou o boom dos vinhos de mesa aqui no Douro e, hoje em dia apesar de estarmos muito focados, e , o grosso da nossa facturação ser os vinhos de mesa, estamos cada vez mais a apostar no Vinho do Porto. Começamos por fazer vinhos do Porto Tawny com 10 e vinte anos, dado termos bons stoks de vinhos velhos, há 10 anos começamos a fazer de 30 e 40 anos, depois em 2009 com a adega nova, começamos a fazer vintages.
Aliás praticamente só fazemos vinhos do Porto de categorias especiais, pois entendemos que é por aí, que devemos ir e recentemente temos feito, alguns Vinhos do Porto muito velhos, vinhos únicos, irrepetíveis e fantásticos.

Falar em exportação dos vossos vinhos remete-nos para um lugar comum em que a exportação está no vosso ADN?
Cerca de 50% da nossa produção é exportada indo para os mais variados mercados internacionais. Os melhores mercados são os EUA, Brasil, Macau, Polónia Suécia, Suíça. Vendemos cerca de 1 milhão de garrafas, 30% entre brancos e rosados, 65% tintos e 5% Portos, isto em termos de comercialização, não de produção em que produzimos mais Portos para stockar.

De verdade temos tido um crescimento em quantidade e qualidade, com grande consistência! E uma dos grandes factores de sucesso da nossa empresa tem sido a consistência e quando falo em consistência falo de ano para ano, mantendo um padrão de qualidade e uma identidade nos nossos vinhos. Em 1997 começamos a comercializar com a marca Quinta do Vallado (com um tinto de 95 e um Vallado branco de 96) e tivemos logo muito sucesso a nível nacional – O critico de Vinhos – João Paulo Martins, escolheu o vinho como vinho surpresa do ano.

A nível Nacional e Internacional também ajudou muito em termos de divulgação da nossa marca quando o Mourinho treinava o Chelsea, escolheu os nossos vinhos Vallado Tinto e Vallado Branco, como sendo um dos vinhos ( não eram os vinhos oficiais do Chelsea) que eles tinham para oferecer e, apesar de ainda so estarmos no mercado há 4/5 anos a partir dessa data toda gente dizia – olha o vinho de Chelsea, olha o vinho do Mourinho. Isto aconteceu porque o nosso distribuidor de Vinho da Inglaterra concorreu a uma compra da empresa Chelsea e fomos os escolhidos. A nível internacional, foi também muito importante pertencermos ao Grupo Douro Boys, porque não conseguiríamos a nivel internacional promover o Douro e os nossos vinhos, se fossemos sozinhos; Como fomos tendo um crescimento em termos da força na nossa marca e em termos de vendas, começamos a ficar deficitários em termos de vinhas (uvas) e em termos de adega (capacidade de produção).

Numa primeira fase começamos a comprar uvas a terceiros, o que ainda fazemos, mas de forma a estarmos pouco dependentes de terceiros, em 2006 arrendamos mais 22 hectares no Douro Superior, perto do Pocinho a juntar aos 70 hectares do Vallado, e, em 2010 adquirimos terrenos, (40 hectares junto ao Douro em Castelo Melhor), a Quinta do Orgal e temos vindo a plantar ( já plantámos 30 hectares) e coincidindo com os 300 anos lançamos o Vinho Vallado – Quinta do Orgal- Douro Superior, em produção biológica e já tendo 1 excelente qualidade actualmente, tenho a certeza que daqui a alguns anos vamos ter mais um vinho fantástico e que nos vai ajudar ainda mais na promoção da marca Vallado.

Em termos de adega renovámos a adega existente, e a nova adega e cave de barricas, cuja construção se iniciou em 2008, e com conclusão no fim de 2009, alia a mais avançada tecnologia com uma arquitectura de grande qualidade, o que a torna num dos lugares a visitar, no Vale do Douro.

A QUINTA DO VALLADO E O ENOTURISMO NO DOURO
Quinta do Vallado
Desde 2005, a Quinta do Vallado pode receber hóspedes no seu confortável Wine Hotel.

Composto por duas unidades hoteleiras, o Hotel Rural concluído em 2012, e cuja construção se utilizou essencialmente o xisto e a Casa Tradicional, que outrora pertenceu a Dona Antónia Adelaide Ferreira – a lendária Ferreirinha. No seu todo, a Quinta do Vallado dispõe de 13 quartos, 5 quartos no edifício histórico da Quinta e 8 quartos no novo edifício. Todos os quartos e suites estão equipados com ar condicionado, com televisão e acesso Wi-Fi gratuito. Dispõe de um conjunto de infraestruturas, como piscina, programas de passeios pedestres, de bicicleta, de barco e de jipe, sessões de pesca no rio, piqueniques campestres, as aulas de cozinha tradicional, as provas de vinho e os cursos de iniciação à prova. Possui estacionamento privado gratuito e fornece um serviço de transfer, de e para o aeroporto.

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Hotel na Quinta do Orgal – a Casa do Rio
Hotel na Quinta do Orgal – a Casa do Rio
Em 2009 a Quinta do Vallado decidiu alargar a área de vinhas próprias, tendo escolhido o Douro Superior como o local mais favorável para o fazer. Foi adquirida a Quinta do Orgal, em Castelo Melhor – Vila Nova de Foz Côa. A sub-região do Douro Superior é um dos territórios mais maravilhosos, imponentes e dramáticos da Europa e do mundo. Neste troço do Rio Douro, mais próximo da sua nascente, em Espanha, a natureza mantém-se ainda praticamente intacta, devido ao muito baixo nível de construção, e à inexistência de indústrias poluentes. Por estas razões, esta região foi considerada património mundial da UNESCO Embora seja a sub-região do Douro com menor densidade de plantação de vinha, é hoje em dia considerada como um dos terroirs com mais potencial no Douro.

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Desde a aquisição da quinta em 2009, foram já plantados mais de 30 ha de vinha, sempre em encostas viradas a Norte, com altitudes entre os 127 e 330 metros, em solos predominantemente xistosos. Em 2015 a Quinta do Vallado decidiu criar uma extensão do seu Wine Hotel na Quinta do Orgal – a Casa do Rio. Com apenas 6 suites, este é um hotel único, localizado estrategicamente entre as vinhas e o rio, com uma maravilhosa vista para o Douro. Por essa razão, decidiram criar aqui uma extensão do wine hotel da Quinta do Vallado – a Casa do Rio – com apenas 6 quartos, mas localizada estrategicamente entre as Vinhas e o Rio, com uma maravilhosa vista para o Douro.

O tipo de construção tinha naturalmente que ser “amigo” da natureza, pelo que se decidiu por um edifício feito totalmente em madeira – e “suspenso” – posicionado por cima de uma linha de água, onde ainda existe um antigo pomar de laranjeiras. O projecto de arquitectura foi feito pelo mesmo arquitecto responsável pelo Hotel e Adega da Quinta do Vallado – Francisco Vieira de Campos. Recentemente, venceu a categoria de “Práticas Sustentáveis de Enoturismo” nos prémios Best of Wine Tourism de 2016.

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